“Foi durante uma das
apresentações do PROJETO CONVERSANDO MÚSICA, que o então Presidente do Clube de
Engenharia de Goiás, Douzonan da Cunha Matos, pegou o microfone e disse: Quero
fazer um desafio ao Reinaldo (Clemente) traga aqui, o Chico Pinheiro, para
gravar um Sarau, programa que ele apresenta na Globo News ”.
As palavras acima são
do irrequieto Empresário e Empreendedor Cultural Reinaldo Clemente, que de
imediato aceitou o desafio.
Segundo Reinaldo, “no
dia 10 agosto de 2012 (sexta feira) fui ao Rio de Janeiro. Chico Pinheiro
convidou-me a assistir a gravação do próximo programa, que seria com o Geraldo
Azevedo e Amelinha. Então conversamos e acertamos”.
E a gravação do
primeiro “Programa Sarau Regional do Chico Pinheiro - região Centro-Oeste”
aconteceu em Goiânia no ultimo dia 25 de janeiro, sexta-feira, na Vila
Colonial, local apropriado e decorado tipicamente para o evento.
O Sarau é
apresentado há 16 anos na Globo News e tinha o nome de “Espaço Aberto”.
Em 2007 foi reformulado e recebeu o atual
nome. O formato delineado e voltado para o espectador do eixo Rio-São Paulo - considerado
o centro artístico e cultural do país não intimidou o apresentador a partir
para novos desafios.
Reinaldo Clemente é
idealizador e apresentador do “Conversando Música”, projeto que existe desde
2010 e é realizado às quintas-feiras no Clube de Engenharia de Goiás, em Goiânia.
Foi a partir de sua vivencia no meio cultural que Reinaldo resolveu buscar o
Sarau para Goiás.
Evento de grandeza,
ousadia, bom gosto e muito bem organizado e planejado, contou com decoração do
espaço Vila Colonial ao jeito e estilo goiano. Ambiente rústico, com fogão a
lenha, milho verde sendo cozido na hora, e comidas típicas - não faltou sequer
a “namoradeira” na janela. Tudo bem feito e merecedor da honra de ser a
gravação do primeiro Sarau Regional do Centro-Oeste.
Os artistas convidados
foram o consagrado musico e compositor Bororó, que capitaneou e apresentou a
Chico Pinheiro e seus telespectadores Marcelo Barra, Juraíldes da Cruz, Laercio
Correntina e o violeiro Marcus Biancardini. Todos se esmeraram para mostrar ao
mundo, que além do conhecido como “Sertanejo Universitário”, estilo que ocupa
espaços e é amplamente divulgado na mídia nacional, Goiás possui ricos talentos
da Musica Popular Brasileira.
Foram gravados duas
edições para o programa na noite. Neles, Chico Pinheiro deixou bem claro sua
ligação com Goiás, visto que chegou a Minas Gerais ainda bebê, onde foi criado
- e sabe da miscigenação cultural dos dois Estados, nesse aspecto, praticamente
iguais.
Entre um programa e
outro, em intervalos e após a gravação, os felizes 150 convidados foram
agraciados com a apresentação da cantora Cristiane Bueno, acompanhada pelo
esposo, o multiinstrumentista Adilson Ribeiro, oriundos da cidade de Santa
Helena de Goiás. A dupla preencheu com competência e leveza os intervalos das
gravações com a bela voz de Cristiane e a magia dos teclados de Adilson,
interpretando algumas canções conhecidas e outras, de difícil interpretação,
como My Way, de Sinatra, em particular e única roupagem.
Após o encerramento das
gravações, em momento de muita descontração e alegria os artistas se revezaram
fazendo apresentações, dando a tradicional canja. Chamo a atenção para o
violeiro Marcus Biancardini, que mostrou o que sabe fazer muito bem com a
viola. Aliás, viola que segundo o mesmo,
foi do famoso Renato Andrade. Biancardini com o poder das mãos e graça tirava
sons diversos com muita naturalidade – e qualidade. Chico Pinheiro, ora sentado à mesa, ora
levantando e se aproximando, mostrou-se encantado, não contendo a alegria de
ver tanta coisa bonita.
Iniciaivas como essa divulgam, abrem portas e oportunidades. Reinaldo Clemente foi muito feliz pela
ousadia da sua realização. É exemplo a
ser seguido inclusive por regiões do país. Assim, poderão mostrar seus artistas,
seus gêneros musicais, sua cultura.
Goiás possui muitas alternativas
além do que vem sendo mostrado. Temos ótimos cantores e compositores - de todos
os gêneros para todos os gostos. Precisamos mostrar isso para o Brasil - e porque
não, para o mundo.
Vejo necessidade de
despertar nas pessoas a oportunidade de ver o que é produzido tão pertinho e às
vezes sequer enxergamos. É preciso abrir espaço a artistas de todos os gêneros
musicais. E o “Conversando Musica” pelo que vi, tem essa proposta. São
profissionais que na maioria das vezes vivem de seu trabalho artístico e querem
e merecem espaço e reconhecimento.
A indústria da cultura
é capitalista, como não poderia deixar de ser. Por circunstâncias óbvias, deixam de projetar
músicos que trazem cultura a uma população tão heterogenia.
Que esse seja o
primeiro de muitos saraus a ser realizado em Goiás. Deu visibilidade e foi fundamental
para a reflexão, o repensar e o despertar de novos valores e gostos musicais.
Penso que a cultura de
um povo é formada a partir da identificação dos gostos e costumes. E deve ser disseminada
para outras regiões e lugares. Prevalece
a que tem raízes profundas, qualidade e alcança cada vez mais visibilidade da
mídia e redes sociais. Atingindo número cada vez maior de pessoas. Que não
faltem, que aconteçam sempre Saraus em Goiás.